ECONÔMICO E FINANCEIRO

Cenário macroeconômico

Mundo

2020 começou com receios sobre o avanço das economias, incertezas nos investimentos e uma contínua fraqueza no comércio. A escalada de tensões comerciais entre Estados Unidos e China, a disputa política entre o Reino Unido e a União Europeia, bem como o desaquecimento dos setores industriais na Alemanha e França foram os principais fatores que levaram a um aumento na percepção de risco, o que pressionou os preços dos ativos em mercados emergentes no início do ano, já com os primeiros sinais da pandemia que afetaria o mundo.

Com a disseminação da covid-19, vários países fecharam suas fronteiras e estabeleceram restrições de circulação à população, com repercussões severas sobre as economias e os mercados financeiros. Bancos Centrais ao redor do mundo utilizaram-se de políticas monetárias e fiscais expansionistas, gerando uma melhora na percepção sobre a recessão esperada. O ano encerrou-se com a redução parcial dos principais riscos que ameaçaram a economia mundial em 2020, sobretudo com o início da vacinação na população de alguns países e a perspectiva de sua expansão.

Em relação à política monetária dos Estados Unidos, o Banco Central americano (FED) decidiu reduzir suas taxas de juros a um patamar próximo de 0%. Já no ambiente político, Joe Biden foi eleito para a Casa Branca, o que promete novos rumos para a gestão das políticas interna e externa do país. O PIB americano deve apresentar recessão próxima a 4% em 2020, ante avanço de 2,3% em 2019.

Enquanto isso, Reino Unido e União Europeia chegaram a um acordo comercial que, na prática, faz com que a nação não seja mais regida pelas regras do bloco, mas mantenha a continuidade das relações comerciais. As previsões da Comissão Europeia apontam para uma retração de 8,7% no PIB da Zona do Euro e de 8,3% nos 27 países da União Europeia.

Por fim, na China, os dados econômicos indicaram fortes sinais de recuperação após o impacto da
pandemia, com alguns setores acima do nível pré-pandemia. O FMI projeta crescimento de 1,9% para o país em 2020, ante avanço de 6,1% em 2019.

Brasil

O país iniciou 2020 em uma situação de consolidação fiscal, ainda com deficit no setor público, mas no menor nível em seis anos. Além disso, a liberação dos recursos do FGTS estimulou o consumo, ao passo que eram esperados avanços nas reformas fiscal e administrativa.

Entretanto, a pandemia de covid-19 abalou fortemente a recuperação econômica brasileira, com restrições à circulação e suspensão das atividades não essenciais, gerando efeitos significativos sobre o PIB. No âmbito político, o ano foi marcado pelo aumento de risco da ruptura do teto de gastos públicos, impulsionada pelos programas emergenciais realizados durante a pandemia.

Em termos de política monetária, o Banco Central reduziu a taxa básica (taxa Selic) a 2% ao ano, o menor patamar histórico. Foram feitas também injeções de R$ 1,5 bilhão no sistema financeiro, por meio da redução de compulsório, recompra de títulos da dívida e flexibilização de regras em investimentos.

A previsão do PIB é de retração de 4,26% em 2020, de acordo com o relatório Focus, ante uma elevação de 1,1% em 2019. Esse cenário local, somado aos atuais níveis de juros globais, vem influenciando o mercado de juros no Brasil. Entretanto, há uma limitação pelo substancial risco fiscal ainda existente, ao passo que a inflação encerrou 2020 em 4,37%, influenciada pelo avanço de preços em alimentação e transportes, além da revisão da bandeira tarifária de energia elétrica.

O setor previdenciário

Com a promulgação da reforma da Previdência, em novembro de 2019, o setor de previdência complementar entrou em 2020 com a expectativa de um incremento no volume de recursos para um patamar superior a R$ 1 trilhão. O crescimento era esperado devido às regras mais rígidas, com prazos mais longos para acesso aos benefícios e redução dos valores pagos, que estimulariam o fomento ao setor no país.

A pandemia de covid-19, porém, afetou profundamente o segmento, visto que as entidades fechadas de previdência complementar são investidores institucionais com volumes expressivos de recursos. O impacto sofrido foi de R$ 53,4 bilhões na desvalorização dos ativos, em março, conforme dados na Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) em seu Relatório de Estabilidade da Previdência Complementar. O total administrado, no fechamento do terceiro trimestre do ano, foi de R$ 984 bilhões, uma queda de 1,1% frente ao saldo de 2019, de R$ 995 bilhões.

Nos últimos anos, o sistema registrou avanços importantes que reforçam sua segurança, solidez e credibilidade. Alguns exemplos são a autorregulação em governança e investimentos, os processos de certificação e a capacitação de dirigentes e profissionais.

Apesar do desenvolvimento, em tempo recorde, de vacinas contra a covid-19, os desafios logísticos e de capacidade de produção são grandes para realizar a imunização da população mundial. Ainda assim, a normalização das atividades deve impulsionar a evolução do volume administrado pelas entidades fechadas de previdência complementar, superando a marca de R$ 1 trilhão em 2021. A criação de planos família, como o Mais Visão (lançado em setembro de 2020 pela Visão Prev), terá papel fundamental nessa meta, ajudando a conscientizar um número cada vez maior de brasileiros quanto ao valor da previdência complementar.


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